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Exercício de máscara faz mal? Veja um guia com dicas de cinco médicos

Fazer exercício de máscara faz mal? Com a liberação da realização de atividades físicas em áreas públicas em várias cidades do país, essa pergunta se tornou presente no dia a dia de atletas amadores. A máscara, item indispensável quando é preciso ir à rua, é obrigatória também na prática diária exercícios, quando realizados fora de casa. Pensando nisso, o médico do esporte Alexandre Carvalho, da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), realizou testes com o acessório na atleta de vôlei de praia Ágatha Bednarczuk Rippel, medalha de prata nas Olimpíadas Rio 2016. O EU Atleta vai explicar melhor os resultados do experimento mais abaixo, mas já adianta que Carvalho chegou à mesma conclusão de outros médicos: treinar de máscara pode ser desconfortável, mas não prejudica a saúde e é obrigatório em tempos de pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-COV-2).

Uso da máscara durante exercícios pode ser desconfortável, mas não prejudica a saúde e é obrigatório em tempos de coronavírus (Imagem Ilustrativa de ResproPolska por Pixabay)

As máscaras criam uma barreira, demandando mais esforço ao respirar, mas reduzindo a chance de contágio. Para usar o acessório corretamente ao se exercitar, é preciso adotar uma série de cuidados. Por isso, com o apoio de Carvalho, do também médico do esporte Páblius Staduto Braga, do cardiologista Nabil Ghorayeb e das pneumologistas Maria Raquel Soares e Tatiana Galvão, desfazemos mitos e explicamos tudo o que você precisa saber sobre o tema.

Seis verdades sobre o treino de máscaras

Os médicos alertam que, em muitas localidades, ainda não é momento de relaxar o isolamento social. Essas flexibilizações precoces podem provocar aglomerações, que favorecem a transmissão do novo coronavírus. Entre os médicos consultados pelo EU Atleta, há outro consenso: quando a prática de exercícios fora de casa for possível, além de contar com calçados e roupas próprios para a atividade escolhida, deve-se usar máscaras.

  1. Reduzem o risco de infecção por vírus transmitidos por vias respiratórias, como o novo coronavírus. Quando usadas corretamente durante atividades físicas, as máscaras, incluindo aquelas caseiras de algodão, já podem oferecer essa proteção se, no ar, há aerossóis com o SARS-Cov-2;
  2. Tendem a causar desconforto durante a prática do exercício, especialmente os aeróbicos, pois o aumento da temperatura local da face gera desconforto, principalmente em climas quentes e úmidos. Além disso, a máscara cria uma barreira, aumentando o esforço ao respirar. Contudo, depois de algum tempo, é possível se acostumar com elas. Nesse processo, é recomendável diminuir a intensidade do exercício e não se preocupar em manter a performance no nível anterior à pandemia de Covid-19;
  3. Não comprometem a entrada de oxigênio ou a exalação do gás carbônico. Isso é um mito. O uso de máscaras durante a atividade física não causa intoxicação por gás carbônico;
  4. Devem ser trocadas sempre que ficarem úmidas. Enquanto as máscaras tendem a garantir proteção por duas a três horas em situações normais, ao praticar exercícios físicos, esse tempo tende a ser reduzido. A máscara úmida aumenta o efeito aerosol e, consequentemente, a transmissão viral;
  5. O constante reposicionamento da máscara com as mãos durante a atividade física invalida qualquer medida higiênica de proteção. O ideal é colocar a máscara corretamente e só mexer novamente nela na hora em que ela ficar úmida e precisar ser trocada por outra;
  6. Não são a única medida necessária para evitar o contato com o novo coronavírus, inclusive ao se movimentar. É preciso manter distância das demais pessoas e redobrar os cuidados de higiene, como a limpeza das mãos com água e sabão ou álcool gel, quando não for possível lavá-las.

O teste de Ágatha

Para melhor esclarecer dúvidas de seus pacientes, que questionavam, por exemplo, se é possível correr com máscaras ou elas interferem na performance, o médico do esporte Alexandre Carvalho realizou testes com esse acessório. Primeiramente, ele próprio experimentou um modelo descartável, quando sentiu um leve desconforto no início do exercício, mas se acostumou com o uso. Depois, Carvalho, que é médico esportivo da Confederação Brasileira de Vôlei, contou com o apoio da atleta Ágatha Bednarczuk Rippel para aprofundar os testes. A jogadora de vôlei de praia, prata nas Olimpíadas do Rio 2016 ao lado de Bárbara, realizou caminhada e corridas leves e moderadas, utilizando primeiramente somente a máscara usada em testes de esforço físico e, em seguida, foram adicionadas a cirúrgica e a de algodão. O médico mediu volumes de oxigênio e gás carbônico e, por meio de oximetria, a saturação de O2, ou seja, os níveis de oxigênio no sangue.

Segundo Carvalho, que é diretor técnico da clínica do professor de Educação Física Marcio Atalla em São Paulo, a experiência demonstrou que, ao usar ambas as máscaras, não houve comprometimento do consumo de oxigênio ou aumento do volume de gás carbônico. É verdade que Ágatha relatou ter sentido um certo desconforto, especialmente ao utilizar um modelo de algodão, que grudava mais no rosto. Porém, ao usar máscaras durante o exercício, a pessoa não deixa de inalar o oxigênio, que chega adequadamente aos músculos, e o acessório não retém o gás carbônico. Baseado nos testes, o médico do esporte indica tanto o uso de máscaras descartáveis, quanto daquelas de tecido, que são ainda mais recomendadas, dada a facilidade de acesso a elas.

“O ar entra e sai normalmente. É uma questão de se acostumar. E o ser humano é capaz de se adaptar a quase tudo. Quando faz o exercício com a máscara e começa a pensar em outras coisas, quando vê, já fez. É mais confortável correr sem. Mas, para sua proteção e dos outros, não tem como correr sem máscara”, completa o médico, destacando que os testes envolveram exercícios com esforços leve a moderado e que aqueles de alta intensidade não são recomendados nesse momento de pandemia pelo risco de diminuírem a resistência imunológica.

Ágatha fala sobre como se sentiu durante os testes, sua primeira experiência se exercitando com máscaras. Casada com o preparador físico do seu time, a atleta mantém uma rotina de treinamentos físicos em casa, enquanto os treinos com a bola ainda não são possíveis. Quando testou a máscara descartável, Ágatha relata que, no decorrer do exercício, já estava tão acostumada que sentiu-se como se estivesse sem máscara. Ao usar a de tecido, no momento em ficou umedecida, o que indica que é hora de trocá-la, grudava no rosto e causava incômodo. Mas a atleta garante ser possível acostumar-se com o uso de ambas as máscaras.

“Tudo vai depender da intensidade do treinamento. Em uma caminhada ou uma corrida mais leve ou moderada, a máscara não chega a prejudicar. O exercício tem que ser mais moderado. Essa é uma questão de consciência. Não é o momento para dar o seu máximo. É preciso manter o corpo ativo e fortalecer a imunidade, não de pensar em performance. É também o momento de pensar no próximo. A máscara ajuda a criar uma barreira para nós e para o próximo. Vejo como certo o uso em caminhadas e para prática de esportes individuais, como corrida e ciclismo, principalmente quando se fala em atividades físicas para pessoas que não são atletas profissionais. O futuro será completamente diferente do passado. Essas mudanças e as máscaras vieram para ficar”, opina Ágatha.

Por que usar as máscaras ao se exercitar

A pneumologista Maria Raquel Soares, coordenadora da comissão de função pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) argumenta que ainda não é o momento de relaxar as medidas, por mais que algumas cidades estejam flexibilizando. Segundo a médica, é preciso manter o isolamento social para evitar aumento do número de casos da Covid-19.

“Ainda prevalece o isolamento social na maioria das cidades do Brasil como regra geral. Esse isolamento mais rigoroso inicial foi realizado para não sobrecarregar hospitais. No entanto, até que tenhamos uma vacina, vamos ter que aprender a conviver com o vírus. E isso implica muito cuidado e cautela. Mesmo que haja flexibilização, as atividades físicas ao ar livre devem ser replanejadas no melhor horário, sempre isoladamente e com proteção”, afirma a médica, acrescentando que, no caso das academias, a partir do momento em que for indicado liberar a abertura em cada cidade, deve-se seguir rigorosamente os critérios de higienização e distanciamento.

Médico do Esporte do Centro de Medicina Especializada do Hospital Nove de Julho, Páblius Staduto Braga comenta que, mesmo ao fazer atividades ao ar livre, que são benéficas por garantirem mais movimento e exposição ao sol, por exemplo, há chance de aglomeração e de favorecer a disseminação do vírus. Nesse momento, não tem jeito, os exercícios em casa ainda são a forma mais segura de manter-se ativo, especialmente se a pessoa apresenta algum fator de risco para agravo da Covid-19, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. No entanto, ao decidir realizar exercícios em áreas abertas ou academias, a pessoa deve usar máscaras.

“Assim, você está se cuidando, cuidando do outro e quebrando a cadeia de transmissão. Se há alguma coisa que a gente possa fazer realmente é quebrar a cadeia de transmissão do vírus. Epidemiologicamente, usar a máscara é excelente e um papel de cidadania muito grande”, pondera Braga, ressaltado que, mesmo que esteja de máscara, a pessoa deve fugir das aglomerações ao realizar exercícios.

O cardiologista e médico do esporte Nabil Ghorayeb, colunista do EU Atleta, observa que a Organização Mundial da Saúde recomenda manter-se a dois metros das demais pessoas para evitar o contágio por gotículas que contenham o vírus. Mas Ghorayeb destaca que, durante a prática de esportes, essa distância deve ser ainda maior, conforme sugere estudo realizado por pesquisadores belgas e holandeses. Eles recomendam manter uma distância mínima de quatro a cinco metros ao fazer caminhadas, dez metros ao correr e cerca de 20 metros ao pedalar. Dessa maneira, além de contar com mais de uma máscara, que deve ser trocada sempre que ficar úmida, processo que pode ser favorecido com o suor e a respiração mais intensa durante os exercícios, quem vive em uma cidade em que já é permitido praticá-los fora de casa, deve procurar manter distância das demais pessoas. E, conforme sugere o cardiologista, quanto mais longe, melhor.

“A máscara atrapalha porque a respiração fica mais dificultada, mas não vai faltar oxigênio. Também não existe o risco de diminuição de performance por causa do gás carbônico ou de morte. A pessoa terá mais esforço respiratório e cansará mais, como na subida de um morro. Se for passar por outras pessoas, tem que estar usando máscara. Mesmo assim, não se deve aglomerar. Mais de duas pessoas já é aglomeração. Quando são do mesmo ambiente domiciliar podem sair juntas, porque terão o mesmo perfil epidemiológico. Mas não podem ter contato com pessoas de outras famílias. É aquela história, é preciso evitar aglomeração, contato e contágio”, discorre Ghorayeb, lembrando ainda que é preciso adotar todas as medidas de proteção existentes para prevenir infecção pelo novo coronavírus, incluindo, por exemplo, a higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel.

Guia de máscaras

Diretora de comunicação da SBPT, a médica pneumologista Tatiana Galvão também adverte que, por enquanto, é indicado realizar os exercícios físicos em casa, com segurança. Mas a médica pneumologista ressalta que as máscaras são itens essenciais sempre que for preciso ir à rua, dado que criam uma barreira mecânica contra gotículas de saliva, principais vetores de transmissão da Covid-19. É preciso ainda que esse acessório tenha baixo custo e seja de acesso fácil à população, motivo pelo qual, quando não se tratar de profissionais de saúde e pessoas contaminadas ou com suspeita da doença, por exemplo, devem ser utilizadas aquelas de tecido. A seguir, com o apoio de Galvão, destacamos algumas orientações sobre os materiais indicados e cuidados com o uso e manuseio desse acessório.

Como devem ser as máscaras:

São indicadas aquelas de tecido 100% algodão, como os usados para fabricação de camiseta, forro para lingerie e lençóis de meia malha. O tecido também pode contar com algodão e 10%, 8% ou 4% elastano na composição. No entanto, é preciso que a máscara conte com diversas camadas. Segundo pesquisadores americanos, esses tecidos usados para confecção de máscaras caseiras podem proteger mais quando dobrados diversas vezes.

Este mês, a OMS divulgou novas orientações para as máscaras de tecido comercializadas ou caseiras com base na análise de evidências disponíveis e consulta a especialistas. De acordo com a Organização, idealmente, o item deve ter três camadas:

Cuidados ao utilizar e retirar as máscaras:

Como lavar máscaras de tecido:

Orientações específicas para a prática de exercícios físicos:

Para uso adequado desse acessório ao fazer o seu treino em espaços em que pode haver o risco de encontrar com outras pessoas, preparamos algumas dicas com o apoio dos médicos do esporte. Confira.

Fonte: Globoesporte.globo.com

 




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