Represa Atibainha está com nível baixo; alerta dos especialistas é para a população economizar água

O principal reservatório que abastece a cidade de São Paulo chegou a um nível muito baixo. Com o fim do período das chuvas, a recomendação dos especialistas é para a população economizar água.

A principal caixa d’água da região mais populosa do país tem tido dificuldades em se recuperar depois da maior crise de abastecimento da sua história: a seca de 2014 a 2016.

“Antes da seca hídrica, a água vinha até aqui, tanto que a represa não voltou desde aquela época”, diz Marcus Vinicius Beltran Ortega, dono de pousada na região.

A segunda principal represa do sistema Cantareira é a Atibainha, no município de Nazaré Paulista. O reservatório está com cerca de um terço da capacidade e, para se ter uma boa medida da quantidade de água, basta olhar a marca nos pilares de uma ponte local, que está cerca de dois metros abaixo do nível normal. Isso multiplicado por quilômetros quadrados do reservatório, é possível imaginar o volume que já foi consumido.

Represa Atibainha, em Nazaré Paulista (Foto: Reprodução)

O nível do conjunto de represas do Cantareira está bem acima da época da seca histórica, mas abaixo dos níveis pré-crise. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais calcula que, se as chuvas se mantiverem na média histórica, o sistema poderá chegar a 39% da capacidade em setembro e entrar no nível de alerta.

O presidente da Sabesp, a Companhia Paulista de Abastecimento, não acredita que vai ser preciso racionar água, mas recomenda economizar. “Evidentemente que nós não vamos chegar em novembro, outubro, em uma situação superconfortável como gostaríamos. Por isso, a razão de pedirmos o uso racional da água pela população. Mas as simulações que nós temos feito com os nossos modelos matemáticos indicam que não há razão, nesse momento, para uma preocupação excessiva em relação a esse tema”, diz Benedito Braga.

A estação chuvosa na bacia de captação do Cantareira terminou de forma antecipada no mês de março e o volume de água que chegou em abril às represas do sistema é o menor já registrado para o mês.

A Região Metropolitana de São Paulo depende menos do Cantareira do que no passado e obras, como a de interligação com a bacia do Paraíba do Sul, garantem mais água. Especialistas em recursos hídricos reconhecem os avanços, mas dizem que é preciso investir mais em reaproveitamento de água e diminuição de desperdício. Em todo estado, a Sabesp perde, em vazamentos e fraudes, 27% da água que produz.

“Nós deveríamos investir mais, porque avizinha-se a próxima crise entre 2025 a 2027. Em média, a cada 11 anos, nós temos um ano que ele é mais seco. Então, nós temos pouco tempo, menos de 5 anos, para tentar diminuir as perdas na distribuição, para que quando chegar a crise, nós não sejamos pegos de surpresa”, diz Antonio Carlos Zuffo, professor de Hidrologia e Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas.

Fonte: G1.globo.com